
Quando iniciei um processo mais profundo no autoconhecimento percebi que durante muitos anos me vi tão distante de mim mesma, rejeitando tantas cores, formas e movimentos da minha própria história e, ao mesmo tempo, reproduzindo outras tantas atitudes, pensamentos e padrões que não me faziam viver em paz com quem eu sou e isso me gerava um constante incômodo e sentimento de não pertencimento, a mim mesma e ao mundo.
O meu termômetro emocional parecia estar sempre medindo a temperatura externa mesmo que meu corpo, sabiamente, me alertava sobre as diversas temperaturas que teimavam em variar dentro de mim. Assim, usando esses parâmetros externos para me medir, entendia pouco sobre o meu funcionamento interno: emoções, ritmos, auto imagem, recursos, potencialidades, etc, e buscava me adequar ao que enxergava de “normalidade” dado pelo mundo de fora.
De fato, é um processo contínuo e, por vezes trabalhoso, esse movimento de conhecer-se, que acontece constantemente durante toda a vida. Porém, acredito eu, que em algum momento chegamos a um ponto onde conseguimos olhar melhor quem somos, ouvir com mais atenção nossas demandas e acolher a nossa trajetória de vida com mais carinho, cuidado e respeito.
Se nos voltarmos para o que se passa no mundo de dentro, sem negar as interferências externas que nos orientam, podemos ampliar esse olhar de todos os sentidos para o nosso caminhar. O autoconhecimento é movimento, não necessariamente um lugar para se chegar já moldado mas, antes disso, um caminho a se percorrer, um lugar que vai se construindo a medida em que caminhamos.
É um constante exercício de auto exploração que, se colocarmos como prática rotineira, podemos nos aproximar melhor de nós mesmos, aprendendo a ajustar a régua de medição interna sobre os nosso estado emocional e também tomar conhecimento de recursos internos e externos para nos auto regularmos saudavelmente e que façam sentido para nós.
Com o engajamento pessoal, a ajuda de profissionais e uma boa rede de apoio podemos nos fortalecer, aprender técnicas diversas e nos apoiar mutuamente nesta busca de sentido que nos move nesta vida.
Os processos realizados na Arteterapia são caminhos que nos direcionam para o autoconhecimento de maneira criativa e expressiva ao estimular o exercício do fazer artístico e das nossas potencialidades criativas promotoras da saúde integral. O autoconhecimento pode ser SIM muito prazeroso, transformador e libertado.
Imagem ilustrativa: Karen Hofstetter