Category Archives: Notas

Retornando o “Cuidar e Criar: linhas que tecem o acolhimento”

Na última semana retornei aos encontros mensais de um projeto do meu Ateliê que, através da Arteterapia, intenciona cuidar de quem cuida. Após alguns meses distante, volto a atender uma equipe de um serviço da Assistência Social (SPVV), no qual oferto há alguns anos o trabalho “Cuidar e Criar: linhas que tecem o acolhimento”.
.
Para este primeiro encontro do ano, tivemos um momento de noticiário, movimentamos o corpo, seguimos com uma contação de história e de uma atividade de produção plástica. Foi um encontro bonito que tratou dos sonhos para 2025 e em suas muitas formas de realizações!
.
Que bom estar de volta a esta casa que tanto me acolhe e reencontrar essa equipe tão querida e afetuosa!

As “grandes chances” que um bom livro oferece

Um bom livro é uma oportunidade de se ver, rever e transver, como ensina o poeta Manoel de Barros sobre o impacto do olhar atento diante do mundo. Essa obra da @nataliatimerman me pegou de jeito, foi uma de me enxergar em muitas camadas. Finalizei a sua leitura há alguns dias, mas ainda sigo apreciando o que me foi revelado. Um mergulho literário que me transpôs a experiência pessoal do luto para uma busca tão coletiva que é elaborar a morte. Do singular pro plural, o micro que expõe o macro.

A história da autora se cruzou com a minha e fez surgir essa humanidade partilhada que tanto me fascina na arte. Me provocou, instigou e emocionou do começo ao fim. Aliás, que fim! Digo, sem spoiler, que o fechamento do livro fez surgir um começo de algo novo, ao mesmo tempo, muito antigo por aqui. Foi com lágrimas catárticas que precisei fechar, em alguns momentos, o livro para senti-lo em meu corpo. Resolvi escrever para entender o quanto me atravessou a carne.

Desde que fui alfabetizada, eu sempre escrevi e mantive o hábito de escrever quase que diariamente. Reservando o sumo selvagem das minhas palavras ajuntadas por sentidos tão meus só pra mim. Do mais privado dos diários às reservadas partilhas pelas cartas, foram anos de tímida produção textual para um seleto e afetuoso grupo de leitores.

Até que vieram investidas mais ousadas, que poderiam atingir um público maior que duas pessoas: um fanzine na adolescência, um jornal interno e a comunicação institucional de dois trabalhos que tive. Ai veio o primeiro blog, depois as redes sociais, uma pequena produção de conteúdos para o meu perfil profissional e agora um site.

Ainda assim, nunca me vi como uma escritora! Só após uma série de leituras recentes – de autoras incríveis que, com primor, misturam ficção, documento e autobiografia – percebi que a criação literária pode ser muito além do que antes imaginei. Venho espiando essa minha identidade escritora que vem recebendo validação após encontrar, pela face leitora, as autoras que me amadrinham. Uma bonita guiança pelo batismo da autoria de escritas que já são gestadas e nascem desde que aprendi a desenhar o meu nome no que hoje chamo de .

Iniciando os atendimentos do ano

Essa semana inauguramos os atendimentos de 2024 para uma equipe de um serviço da assistência social de São Paulo (SPVV), destinado ao cuidado de quem cuida, no formato de atendimento mensal. Eu estava com saudades de estar com essas pessoas tão queridas e dispostas ao bom contato pelas proposições arteterapêuticas.

Como não tivemos encontro em janeiro, planejei um começo que contemplasse alguns momentos: realizar as boas vindas do ano, colher as notícias de cada pessoa, levantar as demandas da equipe e partilhar e expressar os desejos para o ano novo – que já vai deixando de ser futuro e, agora, rapidamente, se torna presente nesse fim do mês 2.

Propus realizarmos o encontro no jardim e contei que havia pensado na temática “Arvorescer” como guiança. Partimos para o nosso abre caminhos com uma roda de conversa provocada pela reflexão: “Como estão chegando nesse 1o encontro de 2024?”. Exercitamos a “língua” ao nomear com palavras chaves cada uma das falas partilhadas.


Convidei o mestre Ailton Krenak para esse momento, através da leitura de um trecho do seu livro “Futuro Ancestral”. “Que futuros podemos construir acessando sabedorias ancestrais que promovam o envolvimento (integração) com a natureza e não mais o desenvolvimento (separação)?”.

Convocamos o corpo através de uma sequência prática que trouxe a yoga como base. Primeiro buscando a respiração profunda, depois a postura da árvore e, a seguir, o livre caminhar pelo espaço enquanto solta o corpo em movimento (nesse momento a música “Árvore”, cantada por Fran e Chico Chico era tocada).

Adentramos na produção arteterapêutica, precedida por uma potente troca de ideias e sentires sobre os futuros desejados para a equipe. Nessa altura, convidamos todes a expressarem pela manualidade, produções plásticas que pudessem ser integradas nas plantas do jardim. Partindo da provocação: “Como ser árvore enquanto se é floresta?”, foram produzidas materialidades com referências nos elementos que compõem uma floresta.

Para finalizar, cada integrante apresentou a sua produção, enquanto instalava-a no jardim. O poeta Manoel de Barros celebrou o fechamento do encontro! Foi bonito de ver tantos desejos de futuros!

Novos brinquedos no acervo

Durante o Carnaval, o Ateliê esteve adormecido nas redes mas a humana administradora aqui esteve bem acordada, exercitando o seu lado brincante na maior folia pernambucana. Que Carnaval bonito foi esse, hein! Nutrição boa e sustenta! Tanto que se materializou em alguns mimos pra casa e pros meus trabalhos artísticos, pedagógico e terapêuticos.

Voltei já pro meu aconchego trazendo na mala, além de saudade, boas memórias e brinquedos novos pra minha caixinha de ferramentas “brincalhonas”.Teve até rito de apresentação dos brinquedos antigos para os brinquedos novos (bem na energia “Toy Story” nordestino rsss).

Desde o ano passado, tenho investido em novos elementos que possam virar ferramentas facilitadoras de intervenções, tanto no meu trabalho como artista educadora quanto como arteterapeuta. E tem surtido muito efeito! Sempre que posso (e tem sido cada vez mais uma prioridade), eu adoro montar ambientes e criar atmosferas (poéticas, lúdicas, apreciativas) pros atendimentos.

Os brinquedos foram chegando aos poucos, assim como alguns instrumentos musicais, elementos naturais, livros de histórias. Hoje me divirto com meu pequeno acervo de uma diversidade de coisinhas, miudezas, cacarecos e quinquilharias. E garanto: não só as crianças se encantam, os adultos também (e muito!)!


Já curiosa pra experimentar as brincadeiras com o Miro, nome do boneco dado em homenagem ao artesão que fez essa marionete. Ela e os outros brinquedos, eu trouxe do Mercado de São José, em Recife/PE. Aliás, pense num lugar que adoro visitar são os mercados públicos. São redutos preciosos de arte, cultura e história!

Bom, agora dizem que, de fato, após o Carnaval, que começou o ano. Então, vamos lá! Tem muita brincadeira te esperando, 2024!