
Falar de corpo na/em terapia é um universo inesgotável de fontes em diversas abordagens que olham para o corpo humano por um prisma existencial, onde se alocam infinitos caminhos a percorrer na busca por respostas sobre como “tratar”, “curar”, “trabalhar” o corpo de forma integral, sem separações, fórmulas e padronizações.
Constantemente surgem perguntas a respeito da importância do trabalho terapêutico aliado ao olhar amplo para o corpo: por que e como trabalhar o corpo em terapia, qual a sua finalidade, quais recursos ativamos e quais benefícios podemos extrair dessas práticas?
Para responder a essas perguntas, se faz necessário pensar o corpo em seus mais amplos significados, potências e necessidades. O corpo que somos, e não apenas que temos como propriedade-matéria, quando colocado em estado de autoconhecer-se, transformar-se e resignificar-se é convocado para uma missão longa, difícil e libertadora.
Olhar a fundo para si, acolher-se, fazer ajustes, mudar rotas, reconhecer suas potencialidades, ativar sua vitalidade e exercitar a sua criatividade pulsante. Jean Yves-Leloup em seu livro “O corpo e seus símbolos” contribui com os estudos dos trabalhos corporais para o autodesenvolvimento e cita: “Alguns já disseram que o corpo não mente.
Mais que isso, ele conta muitas estórias e em cada uma delas há um sentido a descobrir […] o corpo é nossa memória mais arcaica. Nele, nada é esquecido”. Ao longo do trabalho profundo do fazer terapêutico se faz necessário convidar outros olhares, além dos nossos conscientes, como as estrutura sociais e culturais nas quais o investigador de si mesmo vive, além de todo um sistema de crenças que modelam suas ações, afetos e modos de vida.
O trabalho arteterapêutico é, primeiramente, um trabalho de mergulho na corporeidade, no que faz caminhar os viventes, em sua história, seus desejos, nos trajetos percorridos, nos sonhos e paixões, dentre outros campos que atravessam a complexa vivência humana. É pensar que é justamente pelo corpo que atravessam as informações dos mundos internos e externos, importantes para a individuação e subjetivação dos sujeitos.
Confiando nesta sabedoria poderosa do corpo humano, muitos arteterapeutas, além do trabalho de produção plástica, buscam também trabalhar com o corpo propriamente dito, com toda a sua estrutura, através de exercícios corporais como: aquecimentos, alongamentos, danças, criações plásticas-corporais e outras práticas que se mostram como importantes mobilizadores das memórias, sensações e sentimentos.
Pelo exercício corporal, os experimentadores podem dar vazão aos seus conteúdos internos, se auto conhecendo pelos seus corpos e se organizando de dentro para fora e de fora para dentro. Que nossos corpos nos guiem por caminhos com sentido!
Imagem ilustrativa: Nikki Rosato